Pastor fala sobre os perigos de viver o dane-se

Reflexão trata os assuntos recorrentes do Brasil

O Pastor Hermes Fernandes fez um longa e inteligente reflexão sobre os magistrados na Bíblica,provenientes da tribo de Dã e associou-os a palavra dane-se, e falou sobre os danos que a falta de imparcialidade dos que governam podem causar ao povo de uma nação:

“É notável a ausência da tribo de Dã, uma das mais importantes tribos de Israel na lista apresentada em Apocalipse. Por que razão, justamente a tribo de proveniência dos magistrados foi deixada de fora da lista das que recebem o selo de Deus? Acredito piamente que a ausência dessa tribo tenha um propósito e contém um aviso para nós, a igreja, povo de Deus na Nova Aliança. No lugar de Dã, aparece na lista a tribo de Manassés, um dos filhos de José, adotado, juntamente com Efraim, por Jacó.

A Tribo de Dã (דָּן “Juiz”) é uma das tribos de Israel fundada por Dã, filho de Jacó e de Bila, sua concubina.[1] O símbolo que aparece no estandarte de Dã é uma serpente, o que causa certa estranheza, já que este animal é considerado um símbolo do mal na tipologia bíblica. Porém, há uma razão histórica para isso e que se encontra na bênção proferida por seu pai Jacó, antes de sua morte. “Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás.” Gênesis 49:16,17

Segundo as palavras proféticas do patriarca de Israel, Dã seria a tribo que forneceria a Israel os seus magistrados. Portanto, seus membros seriam dotados de uma capacidade especial de discernir, avaliar e julgar. Todavia, tal habilidade acabaria por se corromper, como aconteceu, por exemplo, com Sansão, um dos mais notáveis juízes de Israel proveniente de Dã. O libertador de Israel teve um fim trágico após se tornar cativo da beleza de uma mulher manipuladora e interesseira chamada Dalila.
Jacó também diz que Dã seria serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás. Em outras palavras, dentre as tribos de Israel, Dã personificaria o próprio diabo, também chamado em Apocalipse de “a antiga serpente” e de “o nosso acusador.” Aquela tribo que deveria exercer a justiça de maneira imparcial, abdicou-se de sua magistratura para atuar como promotora de acusação.[2] E assim, Dã se tornou numa força desagregadora em Israel. Aliás, o termo diabo significa “aquele que divide.”

Dã representa para nós os que não se importam com a dor e o dano que provocam na vida de outros através de seus juízos condenatórios. A expressão que cabe bem nos lábios de quem adota tal postura é “dane-se!” E justamente por condenar os outros à danação, eles são excluídos dentre os que recebem o selo de Deus que os protege de sofrerem qualquer dano.
Aliás, é este selo que nos coloca “fora da vista da serpente”, tornando-os imunes às suas acusações do diabo. Em Apocalipse 12:14, este selo aparece em forma de asas de uma grande águia, que são dadas à mulher que ali representa a igreja, para que voasse para o deserto, onde experimentaria a provisão de Deus e seria mantida fora do alcance do bote da serpente.
Apesar de não conseguir nos acusar mais diante de Deus, o diabo tem como aliados os novos filhos de Dã, aqueles que emprestam seus lábios para nos acusar diante dos homens.
Se os tais filhos de Dã fossem mantidos na lista, ao chegarem à glória excelsa, tornariam o céu em um inferno. Não é em vão que Tiago nos admoesta: “Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno (…) É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.”[3]

Embora não constem da lista dos selados por Deus, eles constam de outra lista apresentada por Salomão: “Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.” PROVÉRBIOS 6:16-19

Como serpentes, agem traiçoeiramente, destilando seu veneno, levantam suspeitas infundadas e lançam uns contra os outros. Em vez de ajuntar, só fazem espalhar. Em vez de agregar, desagregam.
Se fomos selados por Deus de modo a ficarmos fora da vista dessas serpentes, como poderiam nos atingir? Repare bem no que diz Jacó ao proferir suas palavras proféticas para Dã e perceba o seu modus operandi. Como serpente, Dã fica à espreita, aguardando o momento de dar o bote. Como não consegue nos tocar, a serpente morde os calcanhares do cavalo para derrubar o cavaleiro “por detrás.” É sempre por detrás! Se não pode nos atingir diretamente, tenta nos atingir indiretamente. Se não pode atingir nossa pessoa, tenta atingir nosso ministério para descredibiliza-lo. Mordendo o cavalo, derruba o cavaleiro. Atingindo nossa reputação, mina a credibilidade de nosso testemunho. E por aí vai.

Este tipo de coisa causa ojeriza em Deus. Por isso, Salomão o chama de abominação. Deus simplesmente abomina que procede como um filho de Dã. Razão pela qual ele adverte: “Aquele que difama o seu próximo, às escondidas, eu o destruirei: aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não o sofrerei. Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo: o que anda num caminho reto, esse me servirá. O que usa de engano não ficará dentro da minha casa: o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.”[4] Não é preciso excluir ninguém. A própria verdade faz a seleção, pois que ama as trevas, sente-se incomodado com a luz.
Sobra até para quem dá ouvidos às suas acusações e difamações: “A testemunha falsa perecerá, mas o homem que a ouve será destruído para sempre.”[5] Não haveria tanto linguarudo, se não houvesse tanto orelhudo. Quem dá ouvido à difamação está sendo cúmplice do acusador.

O salmista diz que entre os que desfrutarão da presença de Deus para sempre está “aquele que anda em sinceridade e pratica a justiça, que de coração fala a verdade; aquele que não difama com a língua, nem faz mal ao seu próximo nem contra ele aceita nenhuma afronta.”[6] Não basta calar-se enquanto o outro espalha boatos para destruir um irmão, é necessário confrontá-lo, e tomar para si a afronta destinada a ele. Sentir-se afrontado pela afronta feita a um irmão se chama empatia. Calar-se é aceitar a injustiça, tornando-se cúmplice dela.

Toda vez que um “filho de Dã” vier falar mal de alguém sem que este esteja presente para se defender, pergunte-se a si mesmo, por que razão ele se sentiu tão à vontade de fazê-lo na sua frente. Que tipo de receptividade ele encontrou em você?
O Deus revelado em Apocalipse não ouve apenas orações. Ele também atenta para o que dizemos uns aos outros. Confira o que diz a Escritura: “Então aqueles que temiam ao Senhor falaram uns aos outros, e o Senhor atentou e ouviu. Um memorial foi escrito diante dele, para que os que temiam ao Senhor e para os que se lembravam do seu nome (…) Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o serve.” MALAQUIAS 3:16, 18

A diferença entre justos e ímpios reside justamente aí. O justo encara a vida de seu semelhante como território sagrado, e não ousa adentrá-lo sem descalçar-se de qualquer julgamento ou presunção. O ímpio prefere largar um “dane-se” antes de emitir juízo condenatório.

Que sejamos contados entre os que foram selados, e que de nossa boca só proceda bênção, e não maldição, água doce, não amarga. E quanto aos “filhos de Dã”, não deixemos de amá-los, porém, não alimentemos suas intrigas e fofocas. Como bem advertiu Paulo, “há muitos insubordinados, faladores vãos e enganadores”, “é preciso tapar-lhes a boca, porque arruínam casas inteiras.”[7] Alguns não temem nem arruinar igrejas inteiras, sem se importar com a dano que isso causara às almas cuja salvação custou tão caro ao Filho de Deus. [1] Gênesis 30:4
[2] Algo análogo ao que fora visto na história recente do Brasil, quando juízes se viram para além do bem e o mal, arrogando-se o direito de agir em conluio com procuradores para condenar sem provas por razões políticas e eleitoreiras”, concluiu o pastor.

 

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