Evangelismo

Quem eram os saduceus na Bíblia? Quais eram as suas crenças?

No Israel do primeiro século, os saduceus eram uma facção religiosa que exercia o poder social em quase todos os aspectos. Esses homens odiavam Jesus e eram os aristocratas judeus de seus dias, conhecidos tanto por sua riqueza e corrupção quanto por sua devoção religiosa.

Definição de Saduceus

No Israel do primeiro século, os saduceus eram uma facção religiosa que exercia o poder social em quase todos os aspectos, exceto militar – e para isso tinham o apoio de seus benfeitores romanos. Esses eram os aristocratas judeus de seus dias, conhecidos tanto por sua riqueza e corrupção quanto por sua devoção religiosa.

Embora não possamos saber com certeza a origem de seu nome, uma crença comum é que ele derivou do nome do proeminente Sumo Sacerdote do Antigo Testamento, Zadoque (2 Samuel 15: 23-29; 1 Reis 2:35).

O papel dos saduceus na Bíblia

Na época de Jesus, os saduceus controlavam as duas instituições mais importantes da sociedade judaica: O Templo de Jerusalém (conhecido como Templo de Herodes) e o Sinédrio.

O Sinédrio era o órgão governante para questões religiosas e legais dos judeus. O líder do sinédrio era um sumo sacerdote com autoridade semelhante à de um rei – e quase sempre era um saduceu.

Por exemplo, Anás e seu genro Caifás são dois sumos sacerdotes mencionados no Novo Testamento (ver Mateus 26: 3 e Atos 4: 6). Ambos eram saduceus – e ambos desempenharam papéis essenciais na execução de Jesus.

Crenças Saduceus

Aqui está o que sabemos sobre a teologia saduceu:

  • Com ênfase especial nos primeiros cinco livros de Moisés (a Torá), eles acreditavam que a Bíblia, nosso Antigo Testamento, era a única autoridade em questões de fé e vida. Os saduceus rejeitaram categoricamente o ensino dos fariseus de que a tradição oral era igual à Escritura em autoridade.
  • Eles acreditavam no livre arbítrio desenfreado – o que significa que Deus não tinha nenhum papel na vida pessoal dos humanos. Todos eram donos de seu próprio destino.
  • Os saduceus rejeitaram inteiramente o sobrenatural, refutando a crença em anjos, demônios, céu, inferno e ressurreição. Em sua maneira de pensar, “as almas morrem com os corpos”. O fim.
  • Apesar do anterior, eles acreditavam fortemente na pureza ritual prescrita por Moisés. Eles não queriam que nada os desqualificasse para “liderar os serviços do templo que geravam renda”.

Na verdade, a riqueza parece ter sido a “crença” número um dos saduceus. Arqueólogos modernos descobriram algumas casas antigas dos saduceus, descrevendo-as como “as mais opulentas descobertas até hoje em Jerusalém”.

Como a Bíblia descreve os saduceus

Saduceus e “principais sacerdotes” – o que eram – são mencionados em todos os quatro evangelhos e em Atos. Nenhuma dessas menções é lisonjeira. Considere esta amostra:

– João Batista chama os saduceus de “raça de víboras” (Mateus 3: 7)

– Jesus chama os saduceus de “geração ímpia e adúltera” (Mateus 16: 1-5).

– Jesus severamente adverte seus discípulos contra o ensino enganoso dos saduceus (Mateus 16: 1-12)

– Quando os saduceus testam Jesus com uma questão teológica, eles são facilmente “silenciados” por Cristo que os prega como crianças, chamando-os de “muito enganados!” (Mateus 22: 23-34; Marcos 12: 18-27; Lucas 20: 27-40).

– Um destacamento de soldados e oficiais é enviado pelos “chefes dos sacerdotes” para prender Jesus, e posteriormente instigar o grito de “Crucifica! Crucificar!” (João 18: 3. 19: 6).

– No livro de Atos, os saduceus freqüentemente prendem – e são miraculosamente envergonhados por – Pedro, João, Paulo e os outros apóstolos (Atos 4: 1-22; Atos 5: 17-41; Atos 23: 1-9)

Lendo os relatos do Novo Testamento, parece óbvio que nossos escritores do evangelho tinham pouco respeito por qualquer saduceu.

Por que os saduceus odiavam tanto Jesus?

Duas razões óbvias se aplicam:

1. Jesus ameaçou seu sistema de crença errôneo; Se o ensino de Cristo estava certo, então a maior parte do que eles viveram e ensinaram estava errado.

2. Jesus ameaçou seu relacionamento acolhedor com Roma e os benefícios políticos e sociais que isso proporcionou.

Ainda assim, a razão mais provável para essa forte oposição saduceu a Cristo parece ser esta:

Jesus os atacou primeiro.

Imagine a cena ocupada:

O templo em Jerusalém está fervilhando de ação. Judeus devotos estão fluindo para fazer os sacrifícios exigidos pela Lei de Moisés.

Um adorador chega com um animal. “Não”, diz o padre. “Esse animal é impróprio para o sacrifício. Você terá que comprar este de mim em vez disso. Por uma taxa.”

Opa, o adorador apresenta a moeda errada e agora deve trocar seu dinheiro por shekels judeus. Por uma taxa. E, finalmente, a transação excessivamente cara é feita.

Momentos depois, outro judeu chega. “Não!” diz o padre novamente. Ele pega o gado anteriormente “impróprio” e força o novo adorador a comprá-lo –por uma taxa. E assim o ciclo se repete, dia após dia, ano após ano.

É roubo, puro e simples. Mas esse esquema torto – entre outros – é como os saduceus dos dias de Jesus financiavam seu estilo de vida pródigo e mantinham um controle rígido do poder político.

Este esquema de sacrifício do templo (entre outros crimes) foi estabelecido pelo sumo sacerdote saduceu, Anás, e foi executado pelo que um teólogo descreve como “uma extensa rede de crime organizado no templo, não muito diferente de uma máfia quase religiosa”. A corrupção no templo era tão descarada que era comumente conhecido como o “Bazar de Anás” – um sistema pelo qual os líderes saduceus roubavam fortunas de seus conterrâneos indefesos.

Até que Jesus apareceu.

Jesus limpa o templo

Agindo apenas sob Sua própria autoridade, Jesus sozinho expulsou os saduceus corruptos do templo, encerrando sua operação desonesta por pelo menos um dia. E se João estiver correto a respeito da linha do tempo registrada em seu evangelho (eu acredito que ele está), Jesus provavelmente expulsou o Bazar de Anás duas vezes – uma no início de seu ministério e outra perto do fim (ver Mateus 21: 12-17; Marcos 11: 15-19; Lucas 19: 45-46; João 2: 13-22).

Este violento ato de Cristo foi um ataque direto e premeditado a Anás, Caifás e todo o sistema saduceu. Custou-lhes riquezas e colocou toda a sua “máfia quase religiosa” em grande risco. Se um rabino itinerante pudesse causar tantos danos, o que aconteceria se muitos se levantassem? Pode-se ver facilmente por que isso incitaria um desejo tão apaixonado de matar o Filho unigênito de Deus.

Curiosamente, os saduceus desapareceram da história durante uma vida após a execução de Jesus. Seu poder estava inextricavelmente ligado ao templo em Jerusalém. Quando foi destruída pelo general romano Tito em 70 DC, os saduceus simplesmente não conseguiram sobreviver.

Fontes:

Charles R. Swindoll. Visão do Novo Testamento de Swindoll: Visão de Lucas. (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2012) 451.

Ronald F. Youngblood, editor. Dicionário ilustrado da Bíblia de Nelson, edição nova e aprimorada. (Nashville, TN: Thomas Nelson, 1986, 1995, 2015) 210, 1007.

John A. Beck. The Baker Illustrated Guide to Everyday Life in Bible Times. (Grand Rapids, MI: BakerBooks, 2013) 222-223.

Spiro Zodhiates, Editor. O Dicionário Completo de Estudo de Palavras: Novo Testamento. (Chattanooga, TN: AMG Publishers, 1992, 1993) 1272.

Paul Yeulett. Jesus e seus inimigos. (Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2013) 118-119, 137.

Mike Nappa é um grande Nerd do Estudo Bíblico e um escritor contínuo de comentários bíblicos e teologia para o Christianity.com. Ele também é um autor cristão campeão de vendas e premiado, com mais de um milhão de cópias de seus livros vendidas em todo o mundo. Saiba mais sobre Mikey em Nappaland.com e MikeNappa.com.

Crédito da foto: GettyImages / Ruskpp

Dayana Ribeiro da Silva

Dayana Ribeiro Desde menina sempre foi apaixonada por televisão, noveleira assídua desde as tramas alá Maria do Bairro ou intensas como o furacão Carminha. Formada em Publicidade e Propaganda em 2014. Escreve desde que se conhece por gente.

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