Sérgio Viula, professor de inglês e pastor de uma igreja evangélica, fundou em 1997 junto com mais dois colegas a ONG Movimento Sexualidade Sadia (Moses), que tinha como principal objetivo acolher, tratar e curar gays e lésbicas que buscassem apoio na organização, por mais de 18 anos.

Sérgio Viula era casado e pai de dois filhos – chefe de uma família nos molde aceitáveis aos olhos da igreja e dos fiéis. Como pastor e conselheiro, viajava pelo Brasil palestrando a cura da homossexualidade, e recebia em seu gabinete centenas de gays desesperados em busca de ajuda e prometia curá-los do que ele acreditava ser uma maldição.

Para levar homossexuais ao Moses, o pastor e outros membros da ONG distribuíam panfletos em lugares onde haviam maior concentração, como paradas gay, em portas de boates LGBT e dentro de igrejas evangélicas onde sabiam que havia a presença de gays em sofrimento.

“Éramos uma rede social sem Facebook. Em cada palestra que ministrávamos, milhares de pessoas eram alcançadas. Íamos jogando a semente de que havia cura para aquilo”, lembrou

As pessoas que buscavam ajuda na ONG, recebiam um livro chamado Deixando o Homossexualismo. Era um livro cabeceira, com orientação de leitura para todos. Depois, passavam pelo que Viula que era o passo chamado “lavagem cerebral”, sendo o primeiro passo se livrar de memórias do passado, como fotos, roupas, presentes ou objetos que trouxessem lembranças da época em que a pessoa teve uma relação homossexual.

O passo seguinte era fazer com que os gays participassem de orações prolongadas, jejuns, retiros espirituais e várias atividades de doutrinamento.

“As pessoas iam em busca de transformação e nosso objetivo era transformá-las”, contou

Sérgio Viula e seu companheiro

O segredo que era guardado a sete chaves de todos, era que um dos líderes do Moses e garoto-propaganda da ONG, o jovem que dava palestras e dizia ser ex-gay e que estava noivo de uma mulher, nunca havia se casou com ela.

Outros rapazes que davam testemunhos para a plateia com a afirmação estarem curados, quando o ¨show¨ corriam ao gabinete de Viula para chorar e dizer que tiveram, sim, recaídas.

Os ouvintes não fazia ideia de que Viula, pastor e lider do (Moses), também era um gay não assumido e que, nos bastidores das palestras, tinha desejo por outros homens que continuava latente, mesmo ele sendo casado com uma mulher e tendo uma família exemplar.

“Chegou um dia em que uma das fundadoras do Moses me perguntou se estávamos no caminho certo, pois não víamos resultados. Nós mantínhamos o discurso de que Deus curava e não víamos um testemunho realmente verdadeiro. O que eu via dentro do grupo criado para curar a sexualidade eram pessoas se envolvendo entre si”
, afirma o ex-pastor.

Posteriormente de acordo com o pastor separou da esposa de deixou a família para trás.
Não foi fácil superar a separação, porém no carnaval de 2016 ele viajou para Belo Horizonte onde conheceu André, o grande amor de sua vida e eles estão vivendo felizes no Rio de Janeiro.

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