Arcebispos da Inglaterra aprovam evento ex-gay após pressão de ativistas LGBT
Antes de ceder a protestos, lideranças da Igreja Anglicana autorizam encontro de ex-homossexuais durante o Sínodo Geral. Decisão divide opiniões no meio evangélico.
Os arcebispos de Canterbury e York deram sinal verde para a realização de um evento com cristãos ex-gays durante o Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, após quase recuarem sob pressão de ativistas LGBT. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (9), reacende o debate sobre sexualidade e fé no anglicanismo e ecoa em igrejas evangélicas brasileiras que acompanham o desdobramento.
Segundo informações do Christian Post, o evento intitulado “Living Out” (Vivendo Fora, em tradução livre) reúne testemunhos de pessoas que deixaram a homossexualidade por convicção religiosa. A aprovação veio depois que grupos LGBT pressionaram pelo cancelamento, classificando a iniciativa como “censura” e “ataque à diversidade”.
Pressão e recuo nos bastidores
Nos dias que antecederam a decisão, ativistas enviaram cartas abertas e mobilizaram manifestações virtuais contra o evento, argumentando que ele promove “terapia de conversão” – prática rejeitada por associações psicológicas. Os arcebispos, inicialmente inclinados a cancelar, voltaram atrás após consulta a líderes conservadores. Um porta-voz da Arquidiocese de Canterbury afirmou que “a liberdade de expressão teológica deve ser preservada, mesmo em temas controversos”.
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A reação foi imediata. Enquanto grupos LGBT acusam a igreja de “acolher discursos de ódio”, pastores evangélicos brasileiros veem a decisão como “vitória da verdade bíblica”. O pastor Silas Malafaia, em postagem nas redes, disse que “a Inglaterra ainda teme a Deus”.
Repercussão no Brasil e próximos passos
No Brasil, onde o debate sobre ex-gays ganhou força com eventos como o “Congresso de Cura Gay”, a notícia mobiliza lideranças. A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) ainda não se manifestou oficialmente, mas pastores ligados à frente conservadora elogiam a postura anglicana. Já entidades como a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) repudiam o evento, classificando-o como “retrocesso”.
O Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra ocorre entre os dias 10 e 14 de julho, em Londres. O evento “Living Out” está previsto para o dia 12, em uma sala anexa ao local do sínodo. A expectativa é de que novas manifestações ocorram, tanto de apoio quanto de protesto.
Enquanto isso, a comunidade gospel internacional acompanha o caso como um termômetro da tensão entre ortodoxia teológica e pressões sociais. Para muitos, a decisão dos arcebispos pode influenciar outras denominações ao redor do mundo.
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