Igreja Mundial é condenada por demitir vítima de assédio moral; desembargador critica 'eliminação do elo mais frágil'
Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro condena igreja do pastor Valdemiro Santiago por assédio moral que culminou na demissão da vítima, não do agressor. Decisão cita 'eliminação do elo mais frágil' e pode abrir precedente para casos similares.
A Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo pastor Valdemiro Santiago, foi condenada pela Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro em um caso de assédio moral que resultou na demissão da vítima, enquanto o agressor permaneceu na igreja. A decisão, proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), usou a expressão 'eliminação do elo mais frágil' para descrever a conduta da instituição. O caso, ocorrido em uma das filiais da igreja no estado, ganhou repercussão no meio gospel e acendeu debates sobre a proteção de fiéis e trabalhadores em ambientes religiosos.
Segundo a ação trabalhista, a ex-funcionária sofreu assédio moral constante por parte de um superior hierárquico. Ao invés de punir o assediador, a igreja optou por demitir a vítima, argumentando que ela 'não se adaptava à cultura organizacional'. O desembargador responsável pelo acórdão destacou que a atitude da Mundial foi 'a eliminação do elo mais frágil da corrente', em vez de enfrentar o problema real. A condenação inclui indenização por danos morais e materiais, além de custas processuais.
A Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada por Valdemiro Santiago após sua saída da Igreja Universal, é uma das maiores denominações neopentecostais do Brasil. O caso ocorreu em uma unidade no Rio de Janeiro, mas a decisão judicial pode ter efeitos nacionais, já que a estrutura da igreja é centralizada. A defesa da Mundial ainda pode recorrer, mas o acórdão já serve como alerta para outras igrejas que tratam denúncias de assédio de forma similar.
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Repercussão no meio gospel
O caso gerou forte reação nas redes sociais e entre líderes evangélicos. Muitos questionam a postura da igreja em priorizar a 'imagem institucional' em detrimento do bem-estar dos fiéis e trabalhadores. O pastor Valdemiro Santiago não se manifestou oficialmente até o fechamento desta reportagem. Entidades de defesa dos direitos dos trabalhadores, como a Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo, usaram o caso para criticar a precarização do trabalho em igrejas, que muitas vezes atuam com pouca fiscalização.
Especialistas em direito canônico apontam que a decisão do TRT-1 pode abrir precedente para que outras vítimas de assédio em instituições religiosas busquem a Justiça. 'A igreja não está acima da lei. Quando atua como empregadora, deve seguir as mesmas regras de qualquer empresa', afirmou um jurista ouvido pela reportagem. A condenação também reacende o debate sobre a necessidade de ouvidorias independentes e canais de denúncia seguros dentro das denominações.
Próximos passos
A Igreja Mundial ainda pode recorrer da decisão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Caso a condenação seja mantida, a igreja terá que pagar a indenização e arcar com as custas, além de possivelmente revisar seus procedimentos internos. O caso serve como alerta para que lideranças religiosas adotem políticas de prevenção ao assédio e não repitam a prática de punir a vítima.
A comunidade gospel aguarda os próximos desdobramentos, enquanto organizações de defesa dos direitos humanos já anunciam que monitorarão o cumprimento da sentença. A reportagem tentou contato com a assessoria da Igreja Mundial, mas não obteve retorno até a publicação.
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