OAB-RJ repudia fala de promotora sobre Deus e vê cerceamento religioso

Ordem dos Advogados do Brasil no Rio condena declaração de promotora e diz que discurso tenta limitar liberdade de crença. Outras entidades também se posicionam.

Sede da OAB-RJ no Rio de Janeiro, com placa da entidade e bandeiras, em foto institucional ou fachada do prédio
Sede da OAB-RJ no Rio de Janeiro, com placa da entidade e bandeiras, em foto institucional ou fachada do prédio

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) repudiou publicamente uma fala de uma promotora de Justiça sobre Deus, classificando a declaração como uma tentativa de cerceamento da liberdade religiosa. O episódio, que ocorreu durante uma audiência na última semana, gerou reações de diversas instituições e lideranças evangélicas. A OAB-RJ afirma que o discurso da promotora ultrapassou os limites da atuação profissional e feriu princípios constitucionais.

Em nota oficial, a entidade destacou que a liberdade de crença é um direito fundamental protegido pela Constituição Federal. A promotora, que não teve o nome divulgado oficialmente, teria feito comentários considerados depreciativos sobre a fé cristã durante um ato processual. Segundo relatos, ela questionou a validade de argumentos baseados em convicções religiosas, o que motivou a reação da Ordem.

Outras entidades, como a Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) e o Conselho de Pastores do Rio de Janeiro, também se manifestaram. Ambas condenaram a postura da promotora e pediram apuração do caso pelo Ministério Público estadual. A Anajure, em comunicado, afirmou que a fala representa um retrocesso no respeito à diversidade religiosa.

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Repercussão entre lideranças evangélicas

Pastores e líderes de igrejas evangélicas do Rio de Janeiro repercutiram o caso nas redes sociais. O bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus, classificou a atitude como "inaceitável" e pediu que a promotora seja responsabilizada. Já o pastor Silas Malafaia, em vídeo publicado no YouTube, disse que o episódio é um sinal de perseguição religiosa no Brasil. "Não podemos aceitar que um agente público desrespeite a fé de milhões de brasileiros", afirmou.

A polêmica ocorre em um contexto de crescente tensão entre setores do Judiciário e comunidades religiosas. Nos últimos meses, decisões judiciais envolvendo temas como liberdade de expressão e laicidade do Estado geraram debates acalorados. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o caso pode servir de precedente para discussões sobre os limites da atuação de promotores e juízes em questões de fé.

O que diz a promotora e o MP-RJ

Até o fechamento desta matéria, a promotora envolvida não se pronunciou publicamente. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) informou, por meio de assessoria, que abriu uma sindicância interna para apurar os fatos. A instituição disse ainda que repudia qualquer forma de discriminação religiosa, mas não comentou o teor específico da fala. A OAB-RJ, por sua vez, prometeu acompanhar o caso e, se necessário, ingressar com representação contra a promotora no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A expectativa é que o CNMP analise o caso nas próximas semanas. Enquanto isso, líderes evangélicos organizam um ato público em frente ao Palácio da Justiça, no centro do Rio, para protestar contra o que chamam de "intolerância religiosa institucional". A manifestação está marcada para o próximo sábado, 18 de julho.

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