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Pastores serão presos? Extrema direita espalha fake news sobre PL da misoginia

Circula nas redes que projeto de lei criminalizaria pregação bíblica. Entenda a verdade por trás da polêmica que atinge líderes evangélicos.

Por Mattias Santos ·

Uma onda de desinformação tem alarmado a comunidade evangélica brasileira nos últimos dias. Vídeos e mensagens compartilhados em grupos de WhatsApp e redes sociais afirmam que pastores serão presos caso o Projeto de Lei 896/2023, que inclui a misoginia na Lei do Racismo (Lei 7.716/89), seja aprovado. A notícia é falsa, mas já gerou pânico e divisão entre fiéis.

A confusão começou quando influenciadores e perfis de extrema direita distorceram o conteúdo do PL, sugerindo que ele criminalizaria pregações bíblicas sobre o papel da mulher no casamento. O argumento central dos alarmistas é que trechos como “mulheres sejam submissas a seus maridos” (Efésios 5:22) poderiam ser enquadrados como crime de misoginia.

O que diz o PL 896/2023

Em tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia — ódio ou aversão às mulheres — como crime, com penas de reclusão de 1 a 5 anos, além de multa. A proposta foi apresentada após o aumento de casos de violência de gênero e discursos de ódio contra mulheres nas plataformas digitais.

Especialistas jurídicos consultados pela reportagem explicam que a lei não atinge liberdade religiosa ou pregação bíblica. “O projeto combate atos concretos de violência e discriminação, não a interpretação de textos sagrados. A liberdade de culto e expressão religiosa é garantida pela Constituição”, afirma uma fonte ligada ao Fórum Nacional de Direitos Humanos. O texto original do PL é claro ao tipificar condutas como “incitar a discriminação ou o ódio contra mulheres” — o que não se confunde com exegese bíblica.

Repercussão e desmentidos

A polêmica ganhou força após o caso do frei Gilson, que no início de 2026 foi criticado nas redes por vídeos sobre submissão feminina no casamento. Na ocasião, ele esclareceu que a submissão bíblica deve ser entendida como “auxílio e parceria”, não inferioridade. Agora, seu nome é usado para alimentar o boato de que líderes religiosos serão alvo da lei.

Pastores de diversas denominações já se manifestaram contra a desinformação. O presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) emitiu nota orientando fiéis a “não compartilhar notícias falsas que semeiam medo e divisão”. A Frente Parlamentar Evangélica também afirmou que acompanha o trâmite do PL e que não há qualquer ameaça à pregação.

Enquanto isso, o projeto segue em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Especialistas acreditam que a aprovação deve ocorrer ainda em 2026, mas sem impacto sobre a liberdade religiosa. “O que se busca é proteger mulheres de discursos que incitam violência, não de sermões”, reforça a fonte.

A recomendação para líderes e fiéis é clara: verificar as informações antes de compartilhar. A desinformação, desta vez, tenta colocar pastores contra a lei — mas a verdade é que a fé e a justiça podem caminhar juntas.