Um evento para conselheiros tutelares em Goiás terminou em confusão na última quarta-feira (8) após a leitura de um poema que fazia referência a Deus. A promotora de Justiça Elayne Rodrigues, que participava do encontro, teria se sentido ofendida com a citação religiosa, gerando mal-estar entre os presentes. O caso ocorreu durante o fórum promovido pela Acter (Associação dos Conselheiros Tutelares do Estado de Goiás), antes da apresentação da coreografia 'O Abraço de Deus', encenada por crianças do Instituto João Gonçalves.
Segundo relatos de participantes, o poema foi lido em voz alta como parte da abertura do evento. Os versos destacavam a presença divina na proteção das crianças e na atuação dos conselheiros tutelares. Ao ouvir a leitura, a promotora teria manifestado desconforto, argumentando que a menção a Deus em um ambiente público e plural poderia ferir a laicidade do Estado. A reação gerou discussão entre os presentes, com alguns apoiando a promotora e outros defendendo a liberdade de expressão religiosa.
O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, especialmente entre evangélicos, que criticaram a postura da promotora. Muitos internautas consideraram a reação desproporcional e lembraram que a fé é um valor presente na sociedade brasileira. A hashtag #PromotoraOfendida chegou a figurar entre os trending topics no X (antigo Twitter) por algumas horas.
Contexto do evento e polêmica
O fórum da Acter reuniu conselheiros tutelares de diversas cidades goianas para discutir políticas de proteção à infância e adolescência. A programação incluía momentos culturais, como a apresentação de dança 'O Abraço de Deus', preparada por crianças atendidas pelo Instituto João Gonçalves, organização social que atua na região. A leitura do poema foi feita por uma das organizadoras, que não teve o nome divulgado.
Em nota enviada à imprensa, a Acter afirmou que o evento sempre buscou valorizar a diversidade de opiniões e que a leitura do poema não tinha intenção de ofender ninguém. A associação também disse que está aberta ao diálogo com o Ministério Público para esclarecer o ocorrido. Já a promotoria, por meio de sua assessoria, informou que Elayne Rodrigues não se pronunciará publicamente sobre o caso no momento.
Repercussão no meio gospel e próximos passos
Líderes religiosos evangélicos de Goiás manifestaram solidariedade aos organizadores e criticaram a atitude da promotora. O pastor Silas Malafaia, em vídeo publicado nas redes, classificou a reação como 'intolerância religiosa'. Outros pastores locais convocaram uma reunião para discutir estratégias de defesa da liberdade religiosa em espaços públicos.
Entidades de defesa dos direitos humanos também se manifestaram, ponderando que a laicidade do Estado não impede a manifestação de crenças, desde que não haja imposição. O caso deve ser levado ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por representantes de associações religiosas. Até o fechamento desta reportagem, não há confirmação de abertura de procedimento formal.
O episódio acendeu novamente o debate sobre os limites da liberdade religiosa em ambientes institucionais e a atuação de agentes públicos diante de manifestações de fé. Para muitos evangélicos, a citação a Deus em um evento voltado à proteção de crianças é natural e bem-vinda. A polêmica, no entanto, mostra que o tema ainda gera tensões.