RS aciona Interpol para enviar dados sobre missionário americano que espancou filho
Autoridades gaúchas pedem cooperação internacional contra Dandre Grayson, que agrediu o filho de 7 anos após a criança não dizer 'bom dia'. Mãe também é investigada.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul acionou a Interpol para compartilhar informações sobre o missionário americano Dandre Grayson, preso por espancar o próprio filho de 7 anos. O caso, que chocou a comunidade evangélica brasileira, ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (10) com o envio de documentos à organização internacional de polícia. A medida busca levantar o histórico criminal de Grayson nos Estados Unidos, onde ele residia antes de vir ao Brasil como missionário.
Grayson, que atuava como missionário religioso em Porto Alegre, foi detido após vizinhos denunciarem os gritos da criança. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria agredido o menino porque a criança se recusou a dar 'bom dia' na manhã do crime. A mãe de Oliver, cujo nome não foi divulgado, também é investigada por suspeita de omissão. Vizinhos relataram que a família mantinha uma rotina de isolamento e que a criança raramente era vista brincando na rua.
A defesa do missionário nega as acusações e afirma que Grayson 'nunca teve intenção de machucar o filho'. Em nota, os advogados disseram que 'a situação foi um momento de estresse' e que o pai 'já pediu perdão a Deus e à família'. No entanto, as marcas de violência no corpo da criança, constatadas em exame de corpo de delito, contradizem a versão da defesa.
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Repercussão no meio gospel
O caso gerou indignação entre líderes evangélicos. Pastores de diversas denominações se manifestaram nas redes sociais repudiando a violência. 'Não há justificativa para agredir uma criança, muito menos em nome da fé', escreveu o pastor Silas Malafaia em seu perfil no Instagram. Outros líderes, como o pastor Ed René Kivitz, também se posicionaram, lembrando que a disciplina bíblica não pode ser confundida com violência física desmedida.
Organizações de defesa dos direitos da criança também cobram rigor na investigação. O Conselho Tutelar de Porto Alegre acompanha o caso e já solicitou a guarda provisória do menino, que está sob cuidados de parentes da mãe. A criança passou por avaliação psicológica e, segundo fontes, apresenta sinais de trauma severo.
Próximos passos
Com o acionamento da Interpol, as autoridades brasileiras esperam obter antecedentes criminais de Grayson nos Estados Unidos. A polícia gaúcha também investiga se o missionário fazia parte de alguma igreja específica ou grupo religioso fechado. Até o momento, nenhuma denominação assumiu vínculo com ele, o que levanta suspeitas sobre a atuação de missionários independentes no país.
O missionário permanece preso no sistema penitenciário do RS e deve passar por audiência de custódia nos próximos dias. A mãe, que não estava em casa no momento da agressão, prestou depoimento e pode responder por omissão de socorro. O caso acendeu um alerta sobre a violência doméstica em lares de missionários estrangeiros no Brasil, especialmente aqueles que atuam sem supervisão de igrejas locais.
A comunidade evangélica aguarda o desfecho do processo, que promete ser um marco no combate aos maus-tratos infantis. Enquanto isso, líderes religiosos convocam orações pela criança e pedem que casos semelhantes sejam denunciados às autoridades.
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