O empresário Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e cofundador da G4 Educação, afirmou ter sido alvo de uma investigação do Ministério Público após autorizar a realização de uma célula cristã semanal dentro de sua empresa. A declaração foi feita em entrevista ao programa Pensando o Brasil e rapidamente viralizou nas redes sociais, reacendendo o debate sobre os limites da liberdade religiosa no ambiente corporativo.
Segundo Tallis, a iniciativa partiu dos próprios funcionários, que pediram permissão para se reunir uma vez por semana para oração e estudo bíblico. O empresário autorizou o grupo, mas logo depois teria recebido uma notificação do Ministério Público questionando a legalidade da prática. O caso, ocorrido em 2024, só veio a público agora, gerando reações divididas entre apoiadores da liberdade religiosa e defensores do Estado laico.
Repercussão no meio gospel
A declaração de Tallis Gomes foi amplamente compartilhada por líderes religiosos e influenciadores cristãos. Pastores e teólogos apontam o episódio como um exemplo da crescente tensão entre a fé cristã e as normas trabalhistas. Para muitos, a ação do MP representa uma intolerância disfarçada de laicidade. Já juristas consultados destacam que, embora a liberdade religiosa seja um direito constitucional, a promoção de atividades religiosas no ambiente de trabalho pode esbarrar em questões como assédio moral e discriminação.
O empresário, conhecido por sua postura conservadora, afirmou que não recuou e que a célula continuou ocorrendo. Ele defendeu que a empresa apenas cedeu o espaço e que a participação era voluntária. O caso, no entanto, não teve desfecho público — não se sabe se o MP arquivou a investigação ou se houve acordo extrajudicial.
O que diz a lei
Especialistas em direito trabalhista explicam que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não proíbe reuniões religiosas voluntárias durante o expediente, desde que não haja coação ou prejuízo às atividades laborais. O Ministério Público do Trabalho, por sua vez, costuma agir quando há denúncias de assédio moral ou discriminação religiosa. No caso de Tallis, não há informações sobre denúncia formal ou processo judicial.
A polêmica ocorre em um momento de acirramento do debate público sobre os limites entre fé e trabalho. Nos últimos anos, empresas como a Magazine Luiza e a Natura foram alvo de críticas por promoverem ações afirmativas ligadas a religiões de matriz africana, enquanto grupos evangélicos denunciam suposta perseguição em ambientes corporativos tidos como progressistas.
Tallis Gomes não comentou se pretende tomar alguma medida judicial contra o MP. O Ministério Público, procurado pela reportagem, não se manifestou até a publicação desta matéria. O caso segue repercutindo como mais um capítulo na complexa relação entre fé, trabalho e Estado no Brasil.