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Bancada evangélica atinge 42% da Câmara; grupo chega a 218 deputados e pode pautar pautas conservadoras

Frente Parlamentar Evangélica soma 218 deputados, o equivalente a 42% da Câmara. Número dá ao grupo poder para aprovar PECs e pautar a agenda conservadora no Congresso.

Deputados evangélicos em plenário da Câmara, com Bíblias e gestos de oração, durante votação em Brasília.
Deputados evangélicos em plenário da Câmara, com Bíblias e gestos de oração, durante votação em Brasília.

A bancada evangélica na Câmara dos Deputados atingiu um patamar inédito: 218 parlamentares, o que representa 42% das cadeiras da Casa. O número foi consolidado nesta quinta-feira (10) e coloca o grupo como a maior força suprapartidária do Legislativo, com capacidade de aprovar Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e pautar a agenda conservadora.

O levantamento, feito com base nas filiações partidárias e declarações públicas dos deputados, mostra que a Frente Parlamentar Evangélica (FPE) cresceu 34% em relação à legislatura anterior. Hoje, um em cada três deputados se identifica como evangélico – e muitos deles ocupam posições-chave em comissões permanentes.

Para líderes religiosos ouvidos pela reportagem, o número representa uma “virada histórica” na política brasileira. Pastores e bispos comemoram a chance de ver pautas como liberdade religiosa, combate à ideologia de gênero e proteção da família ganharem força no plenário.

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Poder de pauta e articulação

Com 218 votos, a bancada consegue aprovar qualquer PEC (que exige 308 votos em dois turnos) se somar aliados de outras frentes. Na prática, o grupo já articula a votação de projetos como o Estatuto da Família e a proibição do casamento homoafetivo por via legislativa.

“É um marco para o conservadorismo brasileiro”, afirmou um assessor da FPE, que pediu anonimato. “Nunca tivemos tanta capilaridade e coesão.” A articulação, segundo ele, é feita por meio de aplicativos de mensagens e reuniões semanais no gabinete do presidente da frente.

Na oposição, partidos de esquerda e movimentos sociais criticam a “teocratização” do Parlamento. Para eles, a bancada usa a fé como escudo para aprovar pautas que ferem direitos de minorias. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que antes era presidida por um deputado de esquerda, agora está sob controle evangélico, o que acirra os debates sobre pautas de costumes.

Impacto nas eleições municipais

O fenômeno não se restringe à Câmara. Nas eleições de outubro, o número de vereadores e prefeitos evangélicos também deve crescer. Lideranças da FPE já anunciam que vão apoiar candidaturas alinhadas em todo o país, com foco na criação de “bases evangélicas” nos municípios. Em São Paulo, por exemplo, pelo menos 15 pré-candidatos a vereador já se declararam evangélicos e buscam o apoio da FPE.

A expectativa é que, até 2028, a bancada ultrapasse os 250 deputados, consolidando o evangelicalismo como principal força política do Brasil. Por enquanto, o grupo celebra o feito, mas sabe que o desafio será transformar números em resultados concretos para a população. A pressão por resultados imediatos é grande, especialmente entre os fiéis que esperam ver mudanças na legislação sobre aborto, drogas e educação sexual nas escolas.

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