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El Niño: especialistas cobram ação em cidades; igrejas podem ser abrigos

Com alertas do Cemaden, Defesa Civil planeja pontos de encontro; templos religiosos entram na rota de emergência.

Pastor evangélico orienta fiéis em igreja com mapa de emergência e kit de primeiros socorros, destacando papel de templos com
Pastor evangélico orienta fiéis em igreja com mapa de emergência e kit de primeiros socorros, destacando papel de templos com

Com a iminência da chegada do El Niño ao Brasil, especialistas em gestão de riscos cobram que autoridades federais, estaduais e municipais planejem ações concretas para proteger a população. Um dos pontos centrais do debate é a definição de locais seguros para onde os moradores devem se dirigir quando as sirenes de emergência tocarem. Entre esses pontos de encontro, estão igrejas – o que coloca a comunidade evangélica como parte fundamental da rede de proteção.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) possui mais de 5 mil equipamentos de coleta de dados espalhados pelo país e emite alertas para órgãos federais, estaduais e municipais em situações de risco. No entanto, segundo especialistas, de nada adianta o alerta se a população não souber para onde ir. Por isso, a Defesa Civil de diversas cidades já está mapeando templos e centros comunitários que possam servir de abrigo temporário.

A iniciativa ganhou força após eventos climáticos extremos em anos anteriores, quando muitas famílias ficaram desabrigadas e recorreram a igrejas para se proteger. Líderes evangélicos têm se mobilizado para orientar suas comunidades sobre os protocolos de segurança. "A igreja não é apenas um lugar de culto, mas também de acolhimento", diz um pastor que preferiu não se identificar. "Estamos nos preparando para receber pessoas, oferecer água, alimento e um local seguro."

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Preparação das igrejas e papel social

Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a Defesa Civil já realizou reuniões com representantes de denominações evangélicas para alinhar procedimentos. As igrejas que aderirem ao plano receberão treinamento básico de primeiros socorros e orientações sobre como agir em caso de enchente, deslizamento ou tempestade. A expectativa é que, até o final do ano, pelo menos 200 templos estejam habilitados como pontos de apoio.

Para o coordenador de um programa de redução de riscos, a participação das igrejas é estratégica. "Elas estão presentes em todas as comunidades, muitas vezes em áreas de maior vulnerabilidade. Ter um local conhecido e confiável faz diferença na hora do desastre." Além disso, a capilaridade das igrejas evangélicas – que somam mais de 110 mil templos no Brasil – permite uma cobertura ampla e rápida.

Desafios e próximos passos

No entanto, ainda há desafios. Muitas igrejas não possuem estrutura para abrigar muitas pessoas por longos períodos. Falta de banheiros, cozinha e espaço para pernoite são problemas apontados por líderes. A Defesa Civil orienta que os templos se preparem com kits de emergência, incluindo lanternas, cobertores e água potável. Também é importante que as congregações tenham um plano de comunicação para avisar os fiéis sobre os pontos de encontro.

Especialistas cobram que o poder público invista em campanhas de conscientização e na adaptação dos espaços. "Não adianta só mapear, é preciso equipar e treinar", alerta um engenheiro ambiental consultado pela reportagem. A expectativa é que, nos próximos meses, o governo federal anuncie um pacote de medidas para fortalecer a proteção civil, com destaque para a parceria com instituições religiosas.

Enquanto isso, a comunidade evangélica segue se mobilizando. Em várias cidades, pastores já estão organizando mutirões para preparar os templos. O alerta do Cemaden e a cobrança dos especialistas servem de lembrete: o El Niño é uma ameaça real, e a fé pode ser um apoio, mas é a ação concreta que salva vidas.

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