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Futebol e fé: avanço evangélico reconfigura a política e o esporte no Brasil, diz especialista

Pesquisador analisa como o crescimento neopentecostal está transformando a matriz sociocultural do país, influenciando desde o Congresso até os gramados.

Jogadores evangélicos de futebol orando juntos no gramado antes de uma partida, com estádio ao fundo.
Jogadores evangélicos de futebol orando juntos no gramado antes de uma partida, com estádio ao fundo.

O crescimento institucional e demográfico das redes neopentecostais no Brasil está provocando uma mudança profunda na matriz sociocultural do país, afetando não apenas a política, mas também o futebol. A constatação é de um especialista ouvido pelo portal argentino Perfil, que aponta para uma reconfiguração de poder na maior potência sul-americana.

Segundo a análise, o avanço evangélico não se limita mais às igrejas e aos templos. Ele se manifesta na ocupação de espaços estratégicos, como cadeiras no Congresso Nacional, secretarias municipais e até mesmo na gestão de clubes de futebol. O fenômeno, que antes era visto como periférico, agora se consolida como um eixo central na disputa pelo poder.

No campo político, a presença evangélica tem sido determinante em pautas legislativas e na formação de bases aliadas. O especialista destaca que a capilaridade das igrejas neopentecostais, com forte atuação em comunidades e periferias, as transforma em máquinas de mobilização e influência eleitoral.

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Futebol como campo de disputa

O esporte mais popular do Brasil também sente os efeitos dessa transformação. O relatório aponta que dirigentes e atletas evangélicos têm ganhado mais protagonismo, com a fé sendo expressa abertamente em campo e nos bastidores. Clubes passaram a realizar cultos e orações antes de partidas, enquanto jogadores usam suas plataformas para testemunhos e posicionamentos religiosos.

Para o pesquisador, isso representa uma nova fase na relação entre religião e esporte, onde o futebol deixa de ser apenas um entretenimento e se torna um palco para afirmação identitária e poder simbólico. A tendência, segundo ele, é que essa influência cresça ainda mais, moldando também as narrativas e os valores associados ao esporte.

Impacto na comunidade gospel

A reportagem repercutiu entre líderes religiosos brasileiros, que veem na análise uma confirmação do papel cada vez mais central da igreja na sociedade. Muitos celebram a 'ocupação de espaços' como cumprimento de uma missão de transformação cultural, enquanto outros alertam para os riscos de uma politização excessiva da fé.

O estudo também levanta questionamentos sobre como essa influência será equilibrada com os princípios democráticos e a laicidade do Estado. O fato é que, seja na política ou no futebol, a presença evangélica no Brasil já não pode ser ignorada — e promete se intensificar nos próximos anos.

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