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Lula tenta se aproximar de evangélicos em meio a rejeição histórica

Presidente busca reverter imagem negativa entre evangélicos, segmento que segue resistente ao governo. Estratégia inclui encontros e pautas conservadoras.

Qual é a 'marca' do governo Lula?
Qual é a 'marca' do governo Lula?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica nos últimos dias uma ofensiva para melhorar sua imagem entre os evangélicos brasileiros. O segmento, que representa cerca de 30% da população, continua sendo um dos maiores focos de rejeição ao governo. A movimentação ocorre em meio a pesquisas internas que apontam dificuldade de penetração da mensagem oficial nas igrejas.

Desde o início do mês, Lula participou de três encontros fechados com lideranças evangélicas em Brasília. O objetivo, segundo assessores, é ouvir demandas e apresentar ações do governo para a área social. A pauta incluiu segurança pública, liberdade religiosa e combate à fome — temas que o Planalto considera transversais ao público gospel.

Nos bastidores, a avaliação é de que a rejeição ao presidente entre evangélicos se mantém em patamar elevado desde 2022. Pesquisa Datafolha de junho mostrou que 51% dos evangélicos consideram o governo ruim ou péssimo, contra 29% dos católicos. O número acendeu alerta no Palácio do Planalto.

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Estratégia de aproximação inclui pautas conservadoras

Uma das frentes da estratégia é o aceno a pautas caras ao eleitorado evangélico. O governo sinalizou, por exemplo, que não deve apoiar projetos de legalização do aborto ou da maconha. Em discurso recente a pastores, Lula afirmou que "respeita a fé do povo brasileiro" e que "não vai impor valores que desrespeitem as crenças religiosas".

A articulação política também passa pelo Congresso. O governo busca aproximação com a Frente Parlamentar Evangélica, que reúne mais de 200 deputados e senadores. Líderes da bancada, porém, mantêm reservas. Em reunião na última quinta-feira, o presidente da Frente, deputado Silas Câmara (Republicanos-AC), disse que "o diálogo é bom, mas a confiança se constrói com atos".

  1. Encontros fechados com pastores e bispos em Brasília
  2. Sinalização contrária a pautas como aborto e drogas
  3. Busca por diálogo com a Frente Parlamentar Evangélica
  4. Investimento em programas sociais nas periferias

Governo aposta em ações sociais para reverter cenário

Paralelamente ao diálogo político, o governo intensifica a presença em comunidades periféricas, onde o público evangélico é majoritário. Programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida são apresentados como conquistas do atual governo. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tem sido o principal articulador dessas visitas.

No domingo, Padilha esteve em um culto na Assembleia de Deus em São Paulo, ao lado do pastor presidente. Na ocasião, anunciou a liberação de recursos para creches comunitárias ligadas à igreja. A medida foi bem recebida, mas líderes locais ponderam que "não é só dinheiro que muda a opinião do povo".

A resistência, no entanto, não se restringe à política. Muitos pastores veem com desconfiança o discurso de Lula sobre direitos humanos, que associam a valores contrários à fé cristã. Para analistas, a mudança de imagem será um processo de longo prazo, que exigirá gestos concretos e consistência.

O governo promete para as próximas semanas novas reuniões com lideranças evangélicas e o lançamento de uma campanha publicitária voltada ao segmento. A dúvida é se a estratégia conseguirá furar a bolha de rejeição que cerca o presidente nas igrejas.

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