Rock, funk, pop ou gospel: o que sua playlist diz sobre sua fé?
Debate sobre influência musical na vida cristã ganha força nas redes; especialistas apontam riscos e liberdade.
Ouvir rock, funk, pop ou gospel define quem somos? O questionamento, que viralizou nas redes sociais neste domingo (12), reacendeu o debate entre evangélicos brasileiros sobre os limites da música secular na vida de quem professa a fé cristã. A discussão, iniciada a partir de uma reflexão publicada pelo portal A12, já soma milhares de compartilhamentos e opiniões divergentes entre pastores, líderes e fiéis.
Para muitos, a playlist revela valores, prioridades e até a saúde espiritual. “A música não é neutra. Ela molda pensamentos e sentimentos”, diz o pastor Marcos Freitas, da Igreja Batista da Lagoinha, em São Paulo. Já outros defendem que o estilo musical não define caráter, mas sim o conteúdo das letras. “Não é o ritmo que afasta de Deus, mas a mensagem”, pondera a cantora gospel Priscila Alcântara.
O debate teológico
A discussão não é nova. Nos anos 1980 e 1990, o rock foi alvo de forte rejeição em muitas igrejas, acusado de ser “do diabo”. Com o tempo, a visão se ampliou. Hoje, o funk e o pop também entram na mira. Segundo o teólogo Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança, no Rio de Janeiro, o problema não está no gênero, mas na intenção e no conteúdo. “Se a música exalta violência, sensualidade ou rebeldia contra Deus, ela não edifica”, afirma.
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Nas redes, jovens evangélicos compartilham playlists que misturam worship com artistas seculares. “Ouço tanto Gabriela Rocha quanto Ed Sheeran. Não vejo conflito”, conta a universitária Larissa Mendes, de 22 anos. Para ela, o que importa é o coração. “Deus olha a motivação.”
Repercussão nas igrejas
Líderes de diferentes denominações têm sido questionados sobre o tema. Em cultos e estudos bíblicos, o assunto aparece como pauta de aconselhamento. “Muitos jovens vêm com dúvidas: ‘Pastor, posso ouvir isso?’”, relata o pastor Levi Santos, da Assembleia de Deus em Belo Horizonte. Ele orienta que o cristão avalie se a música o aproxima ou afasta de Deus. “Não é uma questão de proibição, mas de maturidade.”
A discussão deve continuar nas próximas semanas, especialmente com o lançamento de novas músicas gospel que dialogam com ritmos urbanos, como o funk gospel. Para o músico e produtor Kleber Lucas, a igreja precisa se atualizar sem perder a essência. “A linguagem muda, mas a mensagem da cruz é a mesma.”
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