Notícias

Projeto pode criminalizar pregações e levar pastores e padres à prisão, alerta advogado

Jeffrey Chiquini vê risco no 'PL da Misoginia'; proposta em discussão no Congresso pode enquadrar sermões como crime, gerando apreensão entre líderes religiosos.

Projeto que livra pastores de punição por declarações racistas ou homofóbicas avança na Câmara
Projeto que livra pastores de punição por declarações racistas ou homofóbicas avança na Câmara

Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional tem gerado apreensão entre líderes religiosos no Brasil. O advogado Jeffrey Chiquini alerta que a proposta, apelidada por críticos de 'PL da Misoginia', pode abrir brecha para investigações e até prisão de pastores e padres por pregações baseadas em passagens bíblicas.

Em análise nas comissões da Câmara dos Deputados, o texto visa coibir discursos considerados misóginos, mas, segundo especialistas, sua redação ampla pode atingir sermões que tratem de temas como o papel da mulher na família ou relacionamentos conjugais à luz da Bíblia. A preocupação cresce entre evangélicos e católicos, que veem risco à liberdade religiosa. O debate acendeu um alerta nas igrejas, que já começam a se articular para evitar o que consideram uma censura disfarçada de proteção.

O que diz o projeto

O PL ainda não teve seu teor integral divulgado, mas Chiquini, que acompanha a tramitação, afirma que a proposta criminaliza condutas consideradas degradantes à mulher, sem especificar exceções para contextos religiosos. “Um pastor que pregue sobre submissão ou papéis de gênero baseado em Efésios ou em Gênesis pode ser enquadrado”, alerta o advogado. A crítica é que a lei deixaria margem para interpretações subjetivas, permitindo que qualquer sermão seja contestado judicialmente. Para ele, a falta de clareza sobre o que constitui misoginia pode transformar púlpitos em alvos de processos.

Leia mais

A comunidade gospel já se mobiliza. Lideranças de diversas denominações têm se reunido para discutir estratégias de resistência, enquanto parlamentares da Frente Parlamentar Evangélica prometem apresentar emendas que excluam a liberdade de pregação do alcance da lei. Nas redes sociais, pastores e fiéis compartilham vídeos e textos alertando sobre o que chamam de “censura religiosa”. A hashtag #LiberdadeDePregar ganhou força entre evangélicos, que temem que a proposta iniba a exposição de princípios bíblicos tradicionais.

Impacto e próximos passos

Se aprovado sem alterações, o PL pode criar um precedente perigoso para a atuação de líderes religiosos no Brasil. “Não se trata de defender discurso de ódio, mas de garantir que a interpretação bíblica não seja equiparada a crime”, pondera Chiquini. O projeto ainda precisa passar por comissões e pelo plenário antes de seguir ao Senado. A expectativa é que o debate se intensifique nas próximas semanas, com audiências públicas e manifestações de entidades religiosas. Alguns parlamentares já sinalizaram que vão propor alterações para proteger a liberdade de culto, mas o texto-base ainda é motivo de controvérsia.

Para especialistas, o caso expõe a tensão entre avanços legais no combate à violência de gênero e a proteção da liberdade de culto. Enquanto isso, pastores e padres acompanham com apreensão, cientes de que uma simples pregação dominical pode, no futuro, se tornar alvo de um processo criminal. O clima é de oração e vigilância, como define um líder evangélico: “Estamos confiando em Deus, mas também de olho no Congresso”. O desfecho dessa disputa pode redefinir os limites entre fé e lei no Brasil.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta matéria.

Matérias relacionadas