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PT intensifica diálogo com católicos para conter rejeição entre evangélicos

Com dificuldades de penetração no eleitorado evangélico, partido aposta em bases católicas históricas para 2026.

Líderes católicos e políticos do PT em reunião ou evento, com símbolos religiosos e bandeiras, em ambiente institucional ou i
Líderes católicos e políticos do PT em reunião ou evento, com símbolos religiosos e bandeiras, em ambiente institucional ou i

O Partido dos Trabalhadores (PT) reforçou nos últimos meses a aproximação com lideranças e movimentos católicos, numa tentativa de compensar a baixa adesão entre evangélicos. A estratégia foi revelada em análise de cientistas políticos e confirmada por fontes ligadas à campanha presidencial de 2026. Enquanto o PT construiu sua máquina política sobre um Brasil majoritariamente católico, o avanço evangélico — mais recente e fragmentado — impõe desafios de base que o partido ainda não conseguiu superar.

Nos bastidores, a legenda tem buscado diálogo com setores progressistas da Igreja Católica, especialmente aqueles ligados à Teologia da Libertação e a movimentos sociais. A ideia é reativar pontes que historicamente renderam votos, mas que foram enfraquecidas com o crescimento das igrejas neopentecostais.

Difícil relação com evangélicos

A rejeição ao PT entre evangélicos é um fenômeno consolidado. Pesquisas internas do partido indicam que a taxa de intenção de voto nesse segmento não ultrapassa 20%, bem abaixo dos índices registrados entre católicos. Para especialistas, o crescimento evangélico é um movimento religioso de massa que o PT não conseguiu incorporar, diferentemente do que fez com sindicatos e movimentos rurais nas décadas passadas.

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Lideranças evangélicas consultadas afirmam que a pauta de costumes é o principal entrave. Enquanto a esquerda avança em temas como direitos LGBT e legalização do aborto, a maioria das igrejas evangélicas mantém posições conservadoras. O PT tenta contornar o problema com discursos focados em justiça social e combate à pobreza, que também ressoam nas periferias evangélicas. No entanto, a desconfiança persiste. Pastores de igrejas históricas, como a Assembleia de Deus, criticam abertamente a agenda progressista do partido, enquanto alguns líderes de comunidades carentes reconhecem que o discurso social pode atrair fiéis de baixa renda. A polarização religiosa, portanto, não se resolve apenas com ajustes retóricos.

Reações e próximos passos

A estratégia não é unânime. Aliados do partido avaliam que é preciso um esforço mais direcionado, com candidatos evangélicos e pautas específicas. Por outro lado, setores mais à esquerda veem na aliança católica um caminho mais seguro para evitar desgastes. O PT já começou a articular eventos com padres e bispos progressistas, especialmente no Nordeste, onde a base católica ainda é forte. Além disso, a legenda planeja lançar uma cartilha de diálogo inter-religioso, tentando aproximar-se de evangélicos moderados sem abrir mão de suas bandeiras históricas.

Para a comunidade evangélica, a notícia reforça a percepção de que o partido não os considera prioridade. Líderes de igrejas como Assembleia de Deus e Igreja Universal criticam abertamente a esquerda, mas alguns pastores de periferia reconhecem que o discurso social do PT pode atrair fiéis de baixa renda. A disputa pelo voto religioso promete ser um dos temas centrais da campanha de 2026. Enquanto isso, o PT nega que esteja abandonando o eleitor evangélico, mas a prática mostra que a aposta principal está no catolicismo histórico. Resta saber se a estratégia será suficiente para reverter a vantagem que candidatos conservadores têm construído nesse segmento. O cenário é de incerteza, mas uma coisa é clara: a fé voltou a ser o centro do debate político brasileiro.

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