Fracasso da seleção brasileira é atribuído ao avanço evangélico; cristãos reagem
Artigo polêmico culpa 'esterilização protestante' pela queda de rendimento do time canarinho. Líderes evangélicos rebatem e veem preconceito religioso.
Uma reportagem publicada no site espanhol EsDiario, na última sexta-feira (10), gerou forte repercussão ao culpar o crescimento do evangelismo no Brasil pelo fracasso da seleção brasileira nas últimas Copas do Mundo. O texto, intitulado “En Brasil culpan al evangelismo por los fracasos de su selección en los Mundiales”, afirma que a “esterilização protestante evangélica aplanou a bola, estragou o samba e apagou o estilo” do futebol brasileiro. A publicação já ultrapassou 20 mil compartilhamentos em redes sociais e divide opiniões entre torcedores e cristãos.
Evangélicos rebatem acusações
Líderes evangélicos de diferentes denominações repudiaram a associação entre fé e desempenho esportivo. O pastor Silas Malafaia, em vídeo publicado em seu canal, classificou a matéria como “preconceituosa e sem fundamento”. “Culpar a fé dos jogadores pela derrota é ignorar questões técnicas, táticas e de preparo físico. O evangelho não tira a habilidade de ninguém”, declarou.
Já o pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, lembrou que o futebol brasileiro já passou por ciclos de vitórias e derrotas muito antes do crescimento evangélico. “A seleção de 1970, tricampeã, tinha muitos católicos. Não faz sentido atribuir o mau momento a uma transformação religiosa”, ponderou.
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Outros pastores e teólogos também se manifestaram. O reverendo Augustus Nicodemus, em artigo no blog 'O Temporão', escreveu que a reportagem é um exemplo de “preconceito religioso travestido de análise esportiva”. Para ele, associar a fé evangélica à perda de criatividade é um estereótipo infundado. “O futebol brasileiro sempre foi marcado pela diversidade cultural e religiosa. Reduzir o problema a uma questão de fé é simplista e desonesto”, afirmou.
A polêmica nas redes e o debate sobre preconceito
Nas redes sociais, a hashtag #EvangélicosNoFutebol passou a ser usada por cristãos para rebater o que consideram um ataque. Muitos citam exemplos de jogadores evangélicos que são destaques, como o goleiro Alisson e o zagueiro Marquinhos, ambos da seleção atual. “Eles são profissionais dedicados e sua fé não atrapalha em nada”, comentou um internauta. Outros torcedores lembraram de ídolos do passado que também eram evangélicos, como o atacante Túlio Maravilha, que sempre declarou sua fé.
Por outro lado, setores da imprensa esportiva tradicional rejeitaram a tese. O comentarista Juca Kfouri, em sua coluna, escreveu que “responsabilizar o evangelismo pelo futebol medíocre é uma cortina de fumaça que esconde problemas estruturais, como a má gestão da CBF e a falta de renovação de talentos”. O jornalista PVC também criticou a abordagem, lembrando que a seleção brasileira tem um histórico de altos e baixos que independe da religião dos jogadores.
O episódio reacende o debate sobre o lugar da religião no esporte e o preconceito contra minorias religiosas no Brasil. Enquanto isso, a seleção brasileira se prepara para os próximos amistosos, ainda sob a sombra de críticas que vão além do campo. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não se manifestou oficialmente sobre o assunto, mas fontes internas indicam que a entidade prefere não alimentar a polêmica.
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