Igreja Mórmon tem 17 milhões de membros e confunde evangélicos; entenda diferenças
Maior denominação do Movimento dos Santos dos Últimos Dias, igreja não-trinitária é frequentemente confundida com protestantismo histórico. Especialistas explicam origens distintas.
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como Igreja Mórmon, segue gerando confusão entre fiéis evangélicos brasileiros. Com mais de 17 milhões de membros no mundo (6,8 milhões só nos EUA), a denominação não-trinitária é a maior do movimento restauracionista surgido no século XIX – e não tem relação direta com o protestantismo histórico, como muitos pensam.
O equívoco é comum: por ter Jesus Cristo no nome e usar a Bíblia, a igreja é frequentemente classificada como protestante. No entanto, suas origens remontam a Joseph Smith, que em 1830 publicou o Livro de Mórmon, considerado pelos membros como escritura adicional. Diferentemente de igrejas luteranas, batistas e presbiterianas – que vieram da Reforma Protestante do século XVI –, os santos dos últimos dias se veem como uma restauração do cristianismo primitivo.
O pastor Douglas Baptista, líder assembleiano, explica que o protestantismo histórico surgiu com Lutero, Calvino e outros reformadores, enquanto o pentecostalismo clássico veio depois, em 1906, com o Avivamento da Rua Azusa. “A Assembleia de Deus, que é a maior denominação pentecostal do Brasil, tem forte ligação com esse reavivamento”, afirmou. “Já a Igreja Mórmon é um movimento à parte, com doutrinas distintas, como a negação da Trindade e a crença em profetas modernos.”
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Diferenças teológicas e crescimento no Brasil
No Brasil, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias conta com cerca de 1,4 milhão de membros, segundo dados da própria instituição. Possui templos em várias capitais, incluindo o imponente Templo de São Paulo, inaugurado em 1978. Apesar do crescimento, a denominação ainda é alvo de críticas de setores evangélicos, que questionam a doutrina da salvação e a visão sobre a divindade de Jesus.
Para o teólogo e pastor presbiteriano Marcos Pereira, consultado pela reportagem, a confusão ocorre porque “muitos evangélicos associam qualquer grupo que use a Bíblia e fale de Jesus como sendo protestante”. Ele ressalta que a igreja mórmon é não-trinitária – não crê na Trindade como três pessoas em um só Deus – e considera a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e a Pérola de Grande Valor como escrituras canônicas.
Outro ponto de divergência é a prática do batismo pelos mortos e a crença na possibilidade de progressão eterna. “Essas doutrinas não têm paralelo no protestantismo histórico nem no pentecostalismo”, completa Pereira.
Repercussão e alerta nas redes
Nas redes sociais, o tema voltou à tona após um vídeo viral em que um líder evangélico confunde a Igreja Mórmon com uma denominação protestante. A postagem, compartilhada milhares de vezes, gerou debates sobre a necessidade de esclarecimento teológico entre os fiéis. O pastor Douglas Baptista usou seu perfil para alertar: “Não podemos tratar como igual o que é diferente. Respeitamos, mas precisamos ensinar nossa membresia a distinguir.”
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, por sua vez, mantém uma postura de diálogo inter-religioso e realiza campanhas de esclarecimento sobre sua fé. Em nota oficial, a instituição afirma que “acolhe todos os que desejam conhecer mais sobre Jesus Cristo”, mas não comenta as críticas teológicas.
Para o público evangélico, a principal lição é que, apesar do nome semelhante, as origens e doutrinas são radicalmente diferentes. Enquanto o protestantismo histórico e o pentecostalismo têm raízes na Reforma e no Avivamento da Rua Azusa, os mórmons seguem uma tradição restauracionista iniciada nos Estados Unidos no século XIX.
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